• Giovana Erthal

Algo a se comemorar

De tantas notícias ruins em 2020, algumas novidades possibilitam sonhar com um futuro promissor.

Houston Dash levanta a taça de campeão // Foto: Instagram (@houstondash)

Durante a pandemia, os fãs do futebol feminino sofreram com tantos relatos sobre negligência às atletas e verbas desviadas pelos clubes no Brasil. Em um cenário caótico para o esporte em geral, a perspectiva para o futuro não poderia ser tão otimista. O clima ruim, no entanto, foi aos poucos se dissipando com a aparição de novidades excitantes. A cobertura do campeonato feminino americano – chamado de NWSL Challenge Cup – pela plataforma Twitch, de maneira gratuita aos torcedores internacionais, proporcionou bons momentos de entretenimento com partidas disputadas e polêmicas fora do campo de jogo. Com somente oito equipes, o torneio profissional – precursor no retorno às atividades desportivas nos Estados Unidos – teve duração de um mês e conheceu o time campeão no domingo (26/07), o Houston Dash. Com inúmeros desfalques, visto que boa parte da seleção americana optou por não participar, o evento proporcionou visibilidade às jovens atletas, recentemente draftadas, e às jogadoras pouco utilizadas nas temporadas regulares. Enquanto os times se enfrentavam em Utah, o Orlando Pride – time que cancelou sua participação em função de vários casos positivos no elenco – movimentava as redes sociais com sua “conta torcedora” e postagens bem-humoradas.

Com o intuito de destinar atenção à liga profissional, a atitude do Orlando foi brilhante. A cada partida, era feita uma enquete para se definir a equipe que o Pride apoiaria. Entretanto, a ação de torcida logo foi apelidada de praga, pois os times apoiados pelo Orlando, em geral, apresentavam resultados ruins. A competição mostrou-se amistosa somente ao time ausente, já que em campo as partidas acirradas eram frequentes. Além disso, uma importante campanha foi atrelada ao torneio, alçando ainda mais luz à luta antirracista. Estampada em camisas de aquecimento, o “Black Lives Matter” ditou os comportamentos frente ao hino, quando a maior parte das equipes se ajoelhavam, e ressaltou o caráter político da modalidade.

O término da Challenge Cup coincidiu com o início de um projeto interessante lançado pela FERJ aqui no Brasil. O “Joga com Elas – Educa” busca promover a capacitação de indivíduos interessados no futebol feminino, seja a pessoa um profissional da área ou estudante. Em 4 módulos, divididos em painéis a cada sábado, o programa online e gratuito trará especialistas da modalidade, proporcionando aulas específicas de cada área com embasamento teórico. A proposta ainda conta com a emissão de certificado aos alunos que obtiverem 70% de aprovação, fortalecendo a formação de um grupo obstinado a melhorar o esporte.

Christiane Endler após a paralisação // Foto: Instagram (@psg_feminines)

Sem futebol no Brasil nem nos Estados Unidos, o foco se destina agora à Europa. O restante dos jogos da Champions League já está confirmado, com datas e horários certos. Os aspirantes à melhor equipe da Europa - como o Lyon, Wolfsburg e Barcelona – retomaram os treinamentos, seguindo os protocolos adotados no futebol masculino, e contribuíram para a movimentação do mercado de transferências. Enquanto atletas homens se envolvem em transações milionárias, o cenário das mulheres difere em jeito e cifras. Muitas transferências no futebol feminino não geram quantias exorbitantes, mas adotam o tom de trocas ou empréstimos gratuitos. Os principais times europeus agitam uma leve transformação do atual modelo de compra/venda de jogadoras, investindo mais no câmbio de atletas estrangeiras e fortalecendo seus elencos como bem desejam os treinadores. A divulgação de tais transações também evoluiu com artes mais elaboradas, estimulando a participação dos torcedores nas redes sociais.

Tweet da conta oficial do "Guaraná Antártica" no Twitter

E se as federações iniciam uma movimentação focado na capacitação para um futuro próximo, algumas marcas dedicam seu tempo ao presente. Na segunda-feira (27/07), o diretor de marketing da CBF – Gilberto Ratto – divulgou que o Guaraná Antártica será o novo patrocinador do campeonato brasileiro feminino por duas temporadas. A novidade, intensamente comemorada, reforça a posição da marca, que ano passado convocou outras empresas a apoiarem a modalidade na época da Copa do Mundo. O anúncio de patrocinadores gera ainda mais visibilidade ao campeonato que retornará no dia 26 de agosto. É apenas uma marca, porém já demonstra avanço e possível transformação. O apoio do “Guaraná” possui potencial de influenciar outras companhias e fomentar um investimento maior na modalidade.

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