• Vinicius Soares

Mundiais de Clubes: damos importância demais a ele?

Um sul-americano não conquista a competição desde 2012


Nesta sexta-feira, 18, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, declarou que o Mundial, marcado para dezembro de 2020, no Catar, será realizado em algum momento no início do ano que vem, pois algumas competições continentais, como a Libertadores, não serão encerradas neste ano, o que tornaria a competição ainda mais inviável (o calendário totalmente bagunçado pela pandemia não parecia ser suficiente). A edição de 2020, que não se sabe como será realizada no começo de 2021, seria a última edição no formato que estamos acostumados. A partir de 2021, seria realizado um “super” Mundial, com 24 equipes, na China (também não se tem ideia de quando este será realizado).


Última edição do Mundial de Clubes foi realizada no Catar - Reuters


E este novo Mundial de Clubes tende a ser ainda mais desigual que o atual, com 8 clubes europeus contra 6 sul-americanos (Flamengo e Independiente del Valle estariam garantidos entre os 6). A expectativa é de que as fases finais se tornem uma “mini liga” entre europeus, já que o futebol do nosso continente não se equipara há muito tempo. Não temos um campeão mundial desde 2012, quando o Corinthians bateu o Chelsea, e o mais perto que chegamos foi jogar de “igual pra igual”, sendo que os clubes da Europa não dão a mesma importância que nós. E a pergunta que eu faço é: por que damos tanta importância a um torneio que temos tão pouca chance de ganhar, e que nossos adversários não levam a sério?


Já passou a hora de passar a Libertadores na frente na lista de prioridades. É possível falar que o ano de 2010 do Internacional e de 2013 do Atlético-MG foram ruins pelo fracasso no Mundial? Não! São anos históricos para estas equipes, e não é a campanha ruim nesse torneio falido tecnicamente que vai arranhar. As conquistas brasileiras devem sim ser valorizadas, mas atualmente a discrepância entre os continentes não para de aumentar, o que torna cada vez mais difícil. E repito o questionamento: devemos valorizar tanto um campeonato em que seremos no máximo vice-campeões contra times que jogam sem o mesmo compromisso? Não!


Outro fato que pesa contra o Mundial é o nível técnico. A grande maioria dos jogos são sempre muito fracos, até as que envolvem as equipes mais famosas. E um campeonato com nível técnico tão baixo não pode ocupar o calendário das equipes, ainda mais nesta temporada, que terá jogos atrás de jogos, sem muito tempo de descanso. Neste 2020, é necessário retirar datas e jogos dispensáveis para os clubes. A UEFA, por exemplo, adaptou o formato da fase final da Champions 2019/20 e das fases classificatórias da Champions 2020/21. E o Mundial se enquadra nessa lista de jogos dispensáveis.


Pra finalizar, reitero o ponto que já citei algumas vezes. Os clubes europeus não dão a mesma importância que nós. É bem verdade que já foi pior. Por várias vezes, o vice-campeão da Champions disputou o Mundial já que o campeão abriu mão, mas ainda está longe de ser a prioridade deles. E estão certos. As ligas nacionais e campeonatos continentais são bem mais importantes, pios elas premiam a temporada. Dois jogos não premiam coisa alguma, ou alguém acha que o Internacional era o melhor time do mundo em 2006 porque ganhou do Barcelona? Já que gostamos tanto de imitar o que os europeus fazem, vamos imitar isso também: valorizar mais a Libertadores e o Brasileirão, em detrimento do Mundial. 

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