• Giovana Erthal

O que está acontecendo nas principais ligas do futebol feminino?

As competições profissionais, em sua maioria, foram canceladas, mas algumas federações propuseram modelos diferentes para que o futebol continuasse após a paralisação.

Marta na volta dos treinos // Fonte: Instagram(@orlpride)

Os campeonatos femininos, com maior visibilidade, se encontram na Europa. A liga inglesa, francesa, espanhola e alemã concentram uma porção significativa da elite das jogadoras profissionais. Fora do agrupamento europeu, a NWSL – liga americana - e o Brasileirão se apresentam com enorme relevância na modalidade. A disseminação do coronavírus afetou o esporte em todas as suas esferas, além da radical mudança relacionada à convivência dos indivíduos na sociedade. Uma das principais medidas recomendadas pela OMS foi a suspensão de aglomerações em países que foram afetados pela doença. Dessa forma, eventos esportivos, ao redor do mundo, foram paralisados como ação preventiva. O futebol feminino aderiu ao movimento de parada, porém enquanto as principais ligas masculinas planejam seus retornos às atividades, inúmeros torneios femininos foram cancelados.

Na Espanha, à Primera Iberdrola foi decretado o fim das partidas. A conclusão do campeonato declarou o Barcelona, equipe invicta, como campeão e concedeu as vagas da Champions League ao clube catalão e ao Atlético de Madrid. Além disso, não haverá rebaixamento nesta edição do campeonato. Outra decisão tomada pela Entidade de Futebol do país foi concluir a Copa de la Reina 2019/2020 no ano que vem, quando o Barcelona enfrentará o Sevilla, e o Athletic Club jogará a outra semifinal contra EDF Logroño. O desfecho abrupto da competição entra em confronto com as datas, já definidas, de volta da La Liga. Por outro lado, na França, tanto a Ligue 1 quanto a Division 1 foram canceladas. No modelo feminino, o Olympique Lyonnais, o líder com 44 pontos, foi coroado campeão pela 14° consecutiva. O hexacampeão da Champions League conseguiu também uma vaga para a próxima temporada da Liga dos Campeões junto ao PSG, o qual terminou com três pontos a menos que a equipe vitoriosa. O Olympique de Marseille e o FC Metz foram rebaixados.

Na Inglaterra, o término da WSL (Women’s Super League) foi divulgado no dia 25/05, mas a confirmação do clube campeão e dos classificados para a próxima Champions League só foram formalmente apresentados no dia 05/06. A indecisão da Federação se deu em virtude da proximidade de pontuação das três primeiras equipes na tabela e da diferença de partidas jogadas. O campeonato, no momento da paralisação, indicava um desfecho imprevisível, já que Manchester City, Chelsea e Arsenal se alternavam no topo do ranking e ainda havia jogos adiados. Com uma campanha invicta, o Chelsea se consagrou campeão da temporada 2019/2020 da Barclays FA WSL. Junto ao time londrino, o Manchester City recebeu a vaga para a Liga dos Campeões, celebrando um bom desempenho no campeonato. A Federação também indicou que o Liverpool será rebaixado. Na FA Women’s Championship, espécie de Série B inglesa, o Aston Villa foi premiado com o título da edição e, consequentemente, será promovido para a elite.

Confirmação do título // Fonte: Twitter(@ChelseaFCW)

No Brasil, a principal competição profissional já havia começado, quando a CBF decretou a paralisação das atividades. Contudo, assim como ocorre na Itália, não há previsão de retorno. O Brasileirão A1 havia completado a quarta rodada e exibia um novo cenário à modalidade. Os jogos transmitidos pelo canal Band e por outras plataformas de stream possibilitaram uma visibilidade importante aos clubes brasileiros, que através da redes sociais mobilizavam os torcedores. A suspensão do futebol nacional gerou um impacto financeiro nas equipes de dimensões inesperadas. A repercussão de tais complicações já são evidentes no cenário dos jogadores, porém a situação do futebol feminino é ainda mais preocupante. Segundo apurações do blog das Dibradoras, a ajuda da CBF, que seria de R$120 mil aos clubes da série A1 e R$50 mil aos clubes da série A2, não foi, em sua integridade, repassada às jogadoras. A verba da entidade deveria garantir o salário das atletas, mas algumas equipes não destinaram o dinheiro à modalidade. A deficiência encontrada no futebol feminino, que ainda possui atletas sem carteira assinada, é amplificada em momentos de crise financeira. Com pagamentos desproporcionais, se comparados às comissões dos homens do mesmo time, as jogadoras profissionais ainda sofreram reduções em seus salários, o que ocorreu no Corinthians, Internacional e Grêmio.

Duas competições que já apresentaram planejamento de retorno são a Bundesliga Feminina e NWSL. A competição alemã voltou no dia 29/05, impondo regulamentos rígidos de higiene, protocolos de testagem e portões fechados. A primeira partida do retorno foi transmitida pelo site da Federação Alemã e apresentou falhas, devido à enorme quantidade de acessos. A busca por streams pelos torcedores internacionais aumentou consideravelmente e a liga tem recebido uma atenção maior. Já nos Estados Unidos, será feito um torneio, com duração de um mês, como precursor da liga principal. A Challenge Cup contará com 25 jogos, tendo início no dia 27 de junho. O modelo de competição propõe alocar todos os jogos em uma mesma cidade, no estado de Utah, e seguir as recomendações médicas da Federação. O calendário dos jogos da primeira fase já está disponível nas mídias sociais do campeonato e a transmissão para torcedores internacionais será através da plataforma Twitch. Durante a divulgação das informações acerca do torneio, foi mencionado a possibilidade de as jogadoras da seleção americana, vencedoras do última Copa do Mundo, não aceitarem participar desse modelo. O jornal francês Le Progres publicou uma conversa com o treinador do OL Reign em que ele afirma estar descontente com a recusa de Megan Rapinoe. A informação de que a jogadora, que recentemente foi premiada como a nona pessoa mais influente no mundo futebolístico, não jogará o torneio não foi confirmada por pessoas próximas à figura. É reforçado, pela organização, que as atletas possuem a opção de não participarem e, caso isso ocorra, elas ainda receberiam suas comissões. O torneio acontecerá independentemente da participação das estrelas da USWNT, mas a ausência das referências do futebol nos EUA diminui a credibilidade da competição.


Calendário Challenge Cup // Fonte: Twitter(@ORLPride)

As medidas de isolamento social não serão extintas de um dia para o outro, é necessária a evolução gradual dos parâmetros de saúde em cada país. No Brasil, o futebol em geral ainda é tratado com incertezas e indefinições. A responsabilidade de cada clube é relacionada não apenas às questões técnicas, mas se mostra inevitável no respeito à saúde e à dignidade de atletas e funcionários. Assim que houver condições dignas a todos os envolvidos, que ocorra o retorno do esporte mais popular do país.

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