• Antônio Cláudio Rodrigues

Pelé ainda é o maior de todos

Fonte: FIFA // Divulgação

Falar de Pelé tem se tornado, cada vez mais, algo polêmico. Ele realmente fez mais de mil gols? Ele é o maior artilheiro da história do futebol? Seus gols em jogos amistosos devem realmente ser contados? Ele é o melhor da história? Se jogasse no futebol atual, Pelé conseguiria ser o melhor do mundo? Ele é o maior de todos os tempos?


Com certeza há muito o que debater em todos esses questionamentos. No entanto, para que o debate valha a pena é preciso ter muita calma e clareza. Por isso, ao se falar dos gols e jogos oficiais x amistosos é preciso contextualizar tudo. Tem de colocar em perspectiva que muitos amistosos que Pelé disputou foram, sim, contra combinados e outros times de nível muito baixo. Porém, muitos outros não foram. Pelo contrário, foram amistosos disputados com equipes da elite do futebol europeu e sul-americano, numa época em que o calendário de competições era curto.


Di Stéfano e Pelé em amistoso entre Real Madrid e Santos, em 1959, no Santiago Bernabéu (Imagem: Santos FC)

Discutir, também, se Pelé é o melhor da história não pode ser um tabu, como muitos encaram por aí. Isso vem, principalmente, dos mais ufanistas e saudosistas, cujo discurso é de que “igual ao Pelé nunca mais existirá”. De fato, igual, considerando todas as especificidades e contexto, não haverá. Mas, o debate sobre quem é ou foi melhor existe, e há bons argumentos em qualquer “lado” (seja lá se a comparação for com Maradona, Messi, Cristiano Ronaldo ou algum outro). Esse quesito é o mais difícil de haver consenso, uma vez que a preferência por alguém vai do gosto pessoal de cada um. E entrar nessas questões não é o principal objetivo desse texto.


O interesse aqui é mostrar por que Edson Arantes do Nascimento ainda é o maior jogador da história. E provavelmente o será para sempre. Pelo menos na opinião deste que vos escreve. E nesse caso também não serão discutidas ações extracampo, muitas das quais poderiam envolver política. E não é que política e futebol não se misture. É que o único objeto de análise aqui levado em conta é o jogo (e suas consequências).


Enfim, Pelé era praticamente um jogador perfeito. Era, pode-se assim dizer, ambidestro, muito rápido, forte, habilidoso, com bom passe e drible, boa finalização e visão de jogo, e tinha uma impulsão e cabeceio incríveis, apesar de seus humildes 1,73m de altura. O Rei combinava, de uma forma nunca vista até então, a parte física e técnica com maestria. Podia brigar corpo a corpo com qualquer zagueiro, ou então deixá-lo “sem pai nem mãe” com um drible humilhante.


Pelé vs Franz Beckenbauer (Imagem: gifer.com)

E aqui é o momento em que muitos dirão: “mas na época dele era mais fácil”. E é aqui, também, que se precisa contextualizar. Era mais fácil para quem? Se for para as atuais grandes estrelas, como Messi, Cristiano e Neymar, acostumadas a uma marcação mais intensa e com menos espaços, talvez seja verdade. Mas ao olhar a partir dessa ótica, entra-se naquele mérito do “melhor”, o que não é a intenção, como já dito.


Por essa razão, ao pensar sobre como Pelé sobrava em sua época, é necessário, por um momento, não comparar com o que ocorre atualmente. Ao invés disso, o foco deve ser justamente no fato dele ser tão diferenciado em relação aos seus contemporâneos. Ele foi uma gigantesca ruptura com o que se havia visto até então. Como mostra o jornalista Bruno Formiga, em um vídeo do quadro "Polêmicas Vazias" no canal da TNT Sports no YouTube, Pelé foi uma revolução no futebol, se for levado em conta o que se passa dentro de campo. Ele revolucionou a parte física e técnica do jogo e foi dominante em seu tempo.


O Rei ganhou três Copas do Mundo, a primeira delas em 1958, com 17 anos, e ainda sendo protagonista. Depois, em 70, novamente foi ator principal com quase 30 anos. Isso significa mais de uma década no auge jogando no mais alto nível. E pense bem: quais outros jogadores ficaram tanto tempo no topo do futebol mundial? Sem forçar a barra, apenas Messi e Cristiano Ronaldo. Outros gênios desse esporte acabaram, por diversas razões, não jogando no seu melhor nível por tão longos anos. Houve um enorme hiato até ser possível repetir algo que Pelé fez.


Outro aspecto importante que pode ser considerado são as conquistas. Fora as já citadas Copas, vossa Majestade ganhou Libertadores, Mundiais Interclubes, Brasileiros e sempre estando entre os artilheiros e melhores jogadores. Além disso, após revisão da revista France Footbal, ele teria ganho sete Bolas de Ouro (baseado nos atuais critérios e caso as regras da época o deixassem concorrer), o que o tornaria o maior vencedor do prêmio na história. Obviamente, premiações e títulos podem ser superados. Lionel Messi, por exemplo, tem apenas um prêmio de melhor do mundo a menos do que os sete simbólicos de Pelé.


Capa da revista francesa France Footbal após revisão histórica

No entanto, representar tudo o que Pelé representou para o "jogo jogado" é muito difícil que seja sequer igualado. Não é impossível, que fique bem claro. Mas o brasileiro conseguiu colocar todo um país no mapa do futebol, fazendo-o ser reconhecido como o país símbolo deste esporte. Ele também se tornou uma estrela mundial, sendo conhecido e venerado em uma era quando não havia, de forma recorrente, jogos televisionados para o planeta inteiro e nem redes sociais. Por tudo isso e mais um pouco, Edson Arantes do Nascimento ainda é o Rei dos Reis do futebol.



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